“Não vou utilizar a bomba atómica”

“Não vou utilizar a bomba atómica”

Ana Petronilho e Márcia Galrão               

Sampaio da Nóvoa garante que se for Presidente da República vai defender a “estabilidade” a qualquer custo e aconselha Cavaco Silva a olhar para os resultados das legislativas de Outubro da maneira “mais fina possível”. Numa moderação do tom face à altura do lançamento da candidatura, Sampaio da Nóvoa afasta um cenário de dissolução da Assembleia da República – a chamada “bomba atómica” – por considerar que isso seria “uma imprudência enorme”.

Se fosse Presidente no dia 5 de Outubro o que faria perante um governo sem maioria absoluta?

Olharia para os resultados das eleições para interpretá-los da maneira mais fina possível. Não é apenas contar quem tem mais ou menos votos. Há uma análise da realidade eleitoral que tem que ser feita com todos estes partidos novos que estão a emergir. Em função disso, tentar perceber qual seria a maneira mais sólida de construir estabilidade governativa. No dia 5 de Outubro, o objectivo maior para todos nós tem de ser como é que se constrói estabilidade governativa para este país que tenha solidez. Isso é um valor imenso para as nossas vidas pessoais, mas também para a economia. Não podemos andar a mudar todos os dias de regime fiscal, de enquadramentos legislativos ou governos.

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“Financiar a campanha é uma complicação”

Ana Petronilho e Márcia Galrão

Sampaio da Nóvoa espera que não haja candidatos a trabalhar sem se terem apresentado.

Sem apoios partidários ou uma rede de contactos que lhe permita uma alargada angariação de fundos, Sampaio da Nóvoa diz que o financiamento da sua campanha “é uma complicação”, mas que está tudo a ser tratado com o Tribunal Constitucional.

Como vai financiar a campanha?

O financiamento da campanha é uma complicação e temos estado em diálogo permanente com o Tribunal Constitucional. Terá que ser financiada com o que virá a ser a subvenção que o Estado concede aos candidatos. Estamos a fazer recolha de donativos e esperamos que venha a constituir um fundo mínimo interessante. Mas 80% da campanha terá que ser através de recurso a uma conta específica para o efeito e essas despesas virão a ser cobertas pela subvenção. Essas despesas são da minha responsabilidade e do mandatário financeiro, David Xavier.

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“Falei com António Costa antes de avançar”

Ana Petronilho e Márcia Galrão

O ex-reitor diz que uma candidatura de Maria de Belém não é “motivo de preocupação”.

Sampaio da Nóvoa diz que antes de avançar falou com “muitos dirigentes” políticos, incluindo António Costa. O professor, que diz que não faz “depender a candidatura” de nenhum apoio, assume que não fica satisfeito se houver uma divisão do apoio do PS à sua candidatura e de Maria de Belém, mas garante que desistir “está fora de questão”.

Haverá vantagem em não ter o apoio de nenhum partido?

Nunca é vantagem não ter apoio de alguém. Se tiver o apoio dos dez milhões [de portugueses], melhor. Não recuso nenhum apoio.

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“Portugal precisa de um choque empresarial e de conhecimento”

Ana Petronilho e Márcia Galrão

Candidato a Presidente assenta as suas propostas num “Contrato Futuro pela República”, em que defende uma nova centralidade de Portugal.

Se chegar a Presidente, Sampaio da Nóvoa quer juntar os portugueses “em torno de um Contrato Futuro pela República”. Mas em que se traduz esse contrato? “Num dois mais dois”, diz o candidato, explicando – em entrevista ao Económico – que esse contrato implica “reconhecer uma nova centralidade para Portugal”, do ponto de vista geográfico, político e cultural.

Num momento “de virar a página” – em que a situação na Grécia “já ajudou a reabrir o debate europeu” e vai permitir fechar um ciclo – Portugal deve “acabar definitivamente com a ideia de que somos um país pobre, um país irrelevante, um país periférico”.

E essa alteração estratégica para o país passa por duas “grandes apostas”: o “choque de conhecimento” e o “choque empresarial forte”, defende.

O primeiro “é um choque de cultura, um choque de ciência, um choque de educação, e que tem uma componente forte de aposta numa outra dinâmica de educação”. Até porque, avisa Sampaio da Nóvoa, os actuais sistemas educativos “estão obsoletos” e, no futuro, os países que “vão vingar e que vão de algum modo explodir, vão ser os países que vão mudar os seus sistemas educativos”.

O segundo, o tal “choque empresarial”, passará, segundo o candidato a Belém, pela “introdução de inovação e conhecimento nas empresas”. Portugal precisa, diz o professor, de “ser capaz de libertar as empresas de todo o tipo de bloqueios que ainda hoje existem”. Lembrando os tempos em que era reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa considera “insuportável” o lado “do controle, das burocracias” que para si era um “enredo insuportável que nos dava cabo da vida e da alma, da motivação, da vontade de fazer, do entusiasmo”. E o mesmo “se passa muitas vezes nas nossas empresas”, diz.

Mas este “choque empresarial” passa também “pela melhoria da gestão”, onde considera que há “um défice”, ainda que Portugal tenha todos os instrumentos para o ultrapassar. “Temos hoje as pessoas formadas, pessoas que podem ser integradas nessas empresas e que podem permitir que isso aconteça”.

Além de toda esta alteração estratégica, Sampaio da Nóvoa considera ainda que “Portugal precisa de um Estado forte, de um Estado activo que tenha uma capacidade de intervenção estratégica”, uma “capacidade de estimular uma certa economia e de fazer certas apostas”.

As cooperativas podem ser a solução para as novas apostas e para se conseguir uma maior coesão territorial, defende o antigo reitor. “Acredito muito nos projectos cooperativos, tanto na cooperativa no sentido sergiano do termo, como na dimensão da cooperação. É impossível construirmos uma maior coesão territorial se as instituições, as empresas, no plano territorial não cooperarem mais”.

Estes são, em traços gerais, os planos de Sampaio da Nóvoa para o seu Contrato Futuro pela República. Planos que teriam em conta “as políticas, o curto prazo, as conjunturas, as coisas que acontecem” que, “às vezes cilindram o resto”. Mas é aí que intervém um Presidente. “É aí que um Presidente que deve estar fora do jogo diário da governação, pode assumir um papel em que permanentemente chame a atenção para a centralidade de Portugal.”

 

Sampaio da Nóvoa vai viver no Palácio

Ana Petronilho e Márcia Galrão

Quer ser um Presidente verde e solidário e se perder garante que não se dedicará à vida política.

Se chegar a Presidente, Sampaio da Nóvoa quer juntar os portugueses “em torno de um Contrato Futuro pela República”. Mas em que se traduz esse contrato? “Num dois mais dois”, diz o candidato, explicando – em entrevista ao Económico – que esse contrato implica “reconhecer uma nova centralidade para Portugal”, do ponto de vista geográfico, político e cultural.

Num momento “de virar a página” – em que a situação na Grécia “já ajudou a reabrir o debate europeu” e vai permitir fechar um ciclo – Portugal deve “acabar definitivamente com a ideia de que somos um país pobre, um país irrelevante, um país periférico”.

E essa alteração estratégica para o país passa por duas “grandes apostas”: o “choque de conhecimento” e o “choque empresarial forte”, defende.

O primeiro “é um choque de cultura, um choque de ciência, um choque de educação, e que tem uma componente forte de aposta numa outra dinâmica de educação”. Até porque, avisa Sampaio da Nóvoa, os actuais sistemas educativos “estão obsoletos” e, no futuro, os países que “vão vingar e que vão de algum modo explodir, vão ser os países que vão mudar os seus sistemas educativos”.

O segundo, o tal “choque empresarial”, passará, segundo o candidato a Belém, pela “introdução de inovação e conhecimento nas empresas”. Portugal precisa, diz o professor, de “ser capaz de libertar as empresas de todo o tipo de bloqueios que ainda hoje existem”. Lembrando os tempos em que era reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa considera “insuportável” o lado “do controle, das burocracias” que para si era um “enredo insuportável que nos dava cabo da vida e da alma, da motivação, da vontade de fazer, do entusiasmo”. E o mesmo “se passa muitas vezes nas nossas empresas”, diz.

Mas este “choque empresarial” passa também “pela melhoria da gestão”, onde considera que há “um défice”, ainda que Portugal tenha todos os instrumentos para o ultrapassar. “Temos hoje as pessoas formadas, pessoas que podem ser integradas nessas empresas e que podem permitir que isso aconteça”.

Além de toda esta alteração estratégica, Sampaio da Nóvoa considera ainda que “Portugal precisa de um Estado forte, de um Estado activo que tenha uma capacidade de intervenção estratégica”, uma “capacidade de estimular uma certa economia e de fazer certas apostas”.

As cooperativas podem ser a solução para as novas apostas e para se conseguir uma maior coesão territorial, defende o antigo reitor. “Acredito muito nos projectos cooperativos, tanto na cooperativa no sentido sergiano do termo, como na dimensão da cooperação. É impossível construirmos uma maior coesão territorial se as instituições, as empresas, no plano territorial não cooperarem mais”.

Estes são, em traços gerais, os planos de Sampaio da Nóvoa para o seu Contrato Futuro pela República. Planos que teriam em conta “as políticas, o curto prazo, as conjunturas, as coisas que acontecem” que, “às vezes cilindram o resto”. Mas é aí que intervém um Presidente. “É aí que um Presidente que deve estar fora do jogo diário da governação, pode assumir um papel em que permanentemente chame a atenção para a centralidade de Portugal.”

 

Diário Económico