Jorge Bento

Poucas vezes me comovi tão profundamente como hoje, ao ouvir A Portuguesa. António Nóvoa tinha acabado de afirmar cinco compromissos, que guiarão a sua conduta, se for eleito Presidente da República. O candidato tocou, com toda a precisão, na tragédia que afeta o presente e compromete o futuro do nosso país e da maioria da sua população, dos seus jovens, adultos e idosos. O clima era de uma transbordante emoção, provocada por palavras vivas que desataram os nós da indignação contra a angústia, a amargura, a humilhação, a ignomínia, o opróbrio e o sofrimento a que temos estado sujeitos. E abriram as portas da necessidade e da possibilidade de nos dedicarmos à regeneração da nação, apoucada e traída por arteiros e serviçais de uma Europa plutocrata, inculta, arrogante e insolente. Os acordes do Hino Nacional fizeram rebentar nos olhos e na pele fontes de alegria e esperança. E elas formaram, no coração e na alma, um caudaloso rio de confiança. Doravante este vai inundar Portugal, alimentando a coragem que o fará erguer-se com a dignidade na fronte, levantado do chão e alçado ao céu, ao som de um canto empolgante de liberdade e solidariedade.