Discurso na Reunião das Estruturas Locais, 12 setembro 2015

Intervenção de António Sampaio da Nóvoa

Lisboa, 12 de Setembro de 2015

 

Boa tarde, meus amigos, minhas amigas!

A prontidão e o entusiasmo com que aceitaram o convite que vos dirigi para, vindos de todo o país, aqui nos reunirmos, são um sinal de mobilização da nossa campanha e uma afirmação da nossa vontade comum de trabalharmos em prol de Portugal e dos portugueses.

Espero que, depois das férias, venham com toda a energia para enfrentarmos, juntos, os desafios importantes que temos pela frente.

Ao longo destes primeiros meses de candidatura, estive já, com muitos de vós, em diferentes pontos do nosso país. Mas esta é a primeira oportunidade que temos para estar todos juntos, para fazermos um primeiro balanço e para partilharmos as nossas opiniões. Esta é, também, uma boa ocasião para reforçarmos os nossos compromissos, alargarmos a acção em todo o território nacional.

De norte a sul, do litoral ao interior, tenho ouvido mulheres e homens, os mais novos e os mais velhos, avós, filhos e netos, funcionários públicos e trabalhadores do sector privado, sindicalistas e empresários, investigadores, professores e médicos, associações e ordens profissionais, empregados e desempregados, estudantes e reformados, autarcas, agentes culturais e desportistas, gente de todos os lugare, de todas as origens.

Tenho ouvido as preocupações e os anseios desta grande família que é Portugal. Um grande país, com um grande povo, que quer reencontrar o caminho da esperança e encarar o futuro de uma forma confiante, coesa e solidária.

Ouço os portugueses e sinto, com magoa, que os últimos anos nos trouxeram um país com medo do futuro, uma sociedade mais fracturada e dividida, uma economia a funcionar a duas velocidades e uma democracia a passar por uma séria crise de confiança.

O risco de pobreza regressou a níveis que nenhum de nós pode aceitar. Uma em cada quatro crianças está em risco de pobreza. Foram destruídos milhares e milhares de postos de trabalho. Muitas pessoas viram-se, de repente, sem os mínimos sociais a que tinham direito, seja o complemento solidário, no caso dos idosos, seja o rendimento social ou o abono de família. O fosso que separa os mais ricos e os mais pobres não para de aumentar.

O acesso à justiça, à educação, à saúde, aos serviços públicos essenciais, degradou-se profundamente nos anos mais recentes. A emigração voltou a números que não conhecíamos desde o tempo da ditadura! A confiança no sistema público de pensões está ameaçada. Os pensionistas e os funcionários públicos, as classes médias que vivem dos rendimentos do seu trabalho, foram tratados como se os seus legítimos direitos fossem, afinal, privilégios indevidos e inaceitáveis.

Instalou-se de repente no poder uma cultura que faz da insensibilidade social, do fundamentalismo ideológico e do experimentalismo incompetente as suas bandeiras.

Esta cultura afronta os valores essenciais da nossa democracia e os princípios constitucionais. Esta cultura é estranha à solidariedade dos portugueses.

Esta cultura finge-se de moderna, mas traduz, afinal, aquilo que de mais velho existe no mundo, a lei da selva: o abuso dos mais fortes sobre os mais fracos, a competição sem regras éticas, numa prática  constante do “vale tudo” e do “salve-se quem puder!”.

Mas, no país inteiro, o que eu vejo é o contrário disto. São pessoas que reclamam condições para exercer a sua cidadania, que querem uma economia com princípios, que crie emprego sério e a sério, digno, pessoas que reivindicam uma sociedade mais justa e solidária. O que eu ouço são pessoas a exigirem que o futuro não lhes seja negado. O que eu ouço são pessoas que não se resignam à fatalidade de sermos um país onde não é bom viver, onde, para muitos, nem sequer é possível viver.

É a estes portugueses que queremos, que quero responder. Os portugueses merecem ser representados por políticos competentes e devotados ao bem comum, que reconheçam o valor de quem se esforça, de quem trabalha. Aqueles que cumprem os seus deveres exigem respeito pelos seus direitos e pela sua dignidade. Os portugueses querem ter à frente das instituições do País quem os saiba ouvir e quem os saiba representar e defender na Europa e no Mundo.

Estamos na véspera de um novo ciclo político. Pode não ser clara ainda a configuração, mas uma coisa é certa: o país precisa de um novo caminho. Os cidadãos, as famílias, as empresas, os trabalhadores precisam de se reencontrar com a esperança, necessitam de vencer a asfixia e de  respirar, exigem mais e melhor de quem os representa, reclamam mais sensibilidade, mais respeito e mais rigor.

O mandato de representar os portugueses tem de ser assumido como uma responsabilidade integral, como um serviço desinteressado à comunidade.

Meus amigos e minhas amigas,

Estamos agora na campanha para as eleições legislativas. Este é, por definição, o tempo dos partidos. Por isso, a partir de 20 de Setembro não farei qualquer acção pública da minha candidatura.

Apelo a todos para que votem nas eleições legislativas, para que se mobilizem para pôr fim a níveis tão elevados de abstencionismo.

Os partidos políticos são necessários à renovação urgente da nossa vida pública, mas não esgotam a democracia. Nesta crise em que estamos, devem ser os primeiros a reconhecer que a sua acção só se revitaliza, só se aperfeiçoa, com uma sociedade mais participativa e exigente, uma cidadania que tenha como práticas constantes a cidadania, a iniciativa e a avaliação.

Os sinais que nos chegam de todo o país são claros: a democracia portuguesa precisa de um suplemento cívico. As pessoas sentem-se distantes do poder. Querem participar mais nas decisões e, acima de tudo, querem ser ouvidas, tidas em conta e respeitadas na sua dignidade.

Estou aqui para vos ouvir. Estamos aqui para nos ouvirmos.

Depois do tempo dos partidos, chegará o tempo das eleições presidenciais. O nosso tempo. O tempo de todos nós. O tempo dos cidadãos.

Ao longo do mandato deste Presidente da República, ficámos todos a perceber, muito bem, a diferença que pode fazer um Presidente presente, um Presidente que saiba unir, somar, juntar, mobilizar.

O Presidente da República tem de favorecer a soma das partes, não pode funcionar como mais um factor de divisão. O Presidente da República não pode ser um símbolo de omissão e de afastamento.

Portugal precisa de um Presidente que tenha uma consciência nítida do que pode fazer pelo país. Precisa de um Presidente que se envolva nas grandes causas internacionais, de um presidente que projecte a imagem de Portugal no mundo. Pela língua, pela cultura, pelo conhecimento.

Portugal precisa de um Presidente que perceba o que significa realmente “cumprir e fazer cumprir a Constituição”. Porque cumprir e fazer cumprir a Constituição não é uma rotina burocrática. Porque cumprir e fazer cumprir a Constituição é cumprir a democracia.

É por isso que candidaturas nascidas numa lógica de fação conduzirão inevitavelmente, de novo, a uma Presidência de fação. E Portugal já tem fações a mais e compromissos nacionais a menos. Portugal já tem tática a mais e estratégia a menos. Portugal, já tem entretenimento político a mais e empenhamento consequente a menos.

Reafirmo o que tenho dito. Se me candidato a um cargo desta responsabilidade é porque sei, porque todos sabemos, que o momento que a nossa democracia atravessa um momento difícil, porque sei que o país enfrenta bloqueios que exigem, de todos nós, um novo impulso de cidadania.

Só um Presidente diferente pode fazer a diferença na Presidência da República.

Tempos diferentes exigem de nós decisões diferentes e respostas diferentes.

Uma decisão tão séria como a de um cidadão se candidatar a Presidente da República não se toma para cumprir objetivos partidários ou de acordo com a gestão das oportunidades mediáticas. Não seria sério, nem responsável. Esta é uma decisão que, depois de devidamente ponderada, tem de ser bem explicada, com tempo, olhos nos olhos, à frente de todos os portugueses. Ouvindo muita gente, gente de carne e osso. Correndo o país, visitando os sítios onde estão as pessoas, e não apenas os estúdios de televisão ou os bastidores da intriga.

Falar olhos nos olhos, à frente de todos. É o que tenho feito convosco. É o que continuaremos a fazer, num movimento que tem vindo a crescer, de norte a sul e nas regiões autónomas. Temos hoje aqui já reunidos muitos voluntários que representarão nos distritos e nos concelhos esta candidatura. Esta é apenas uma parte, a primeira parte, de uma rede que todos os dias se amplia e reforça.

Quando regressarem a casa, às vossas cidades, às vossas terras, o lema é o mesmo de sempre: “Todos os que partilham os nossos valores e a nossa vontade de servir Portugal são necessários, são mesmo indispensáveis!” Aqui não há listas fechadas, nem apoiantes de primeira e de segunda. Todos são bem-vindos e todos serão bem recebidos, porque todos têm um papel valioso e útil a desempenhar.

Minhas amigas e meus amigos,

Temos feito uma campanha de clareza e verdade – e assim vamos continuar.

Infelizmente, a correr em paralelo com este movimento aberto e participado, o que vemos é o triste espectáculo da velha política.

Um lamentável jogo de sombras entre pseudo-candidatos, pré-candidatos e pós-candidatos, que se julgam ainda os donos disto tudo e se divertem a brincar às candidaturas Esquecem-se que, em democracia, são os cidadãos que escolhem quem os representa.

Perdem tanto tempo a pensar nos movimentos e nas manobras uns dos outros que não ficam com tempo nenhum para pensar em Portugal e nos portugueses. Estão à espera uns dos outros, mas arriscam-se a que Portugal  não espere nada deles – e não espere nada deles…

As eleições presidenciais não são uma segunda volta de outras eleições. São eleições que escolhem o representante do País e o vértice do sistema político. O Presidente da República tem um lugar único e exerce uma função que mais ninguém pode exercer.

Um Presidente não se deve substituir aos governos partidários, mas também não se deve deixar condicionar pela formação dos governos partidários. Desse ponto de vista, jogar aos candidatos como quem joga ludicamente um jogo é faltar ao respeito aos portugueses. Mas é esse um sinal inequívoco acerca do entendimento que cada uma dessas pessoas tem sobre a dignidade da função presidencial.

Minhas amigas e meus amigos,

O próximo Presidente vai presidir à República em anos decisivos. Que País queremos ser no mundo global do século XXI? Que País queremos ser nos 50 anos do 25 de Abril?

É esse debate que temos de travar. É também por isso que quero continuar a ouvir, nas próximas semanas, as pessoas, as instituições, as associações cívicas, as ordens profissionais, os movimentos sociais que fazem, todos os dias, a força da sociedade civil.

Que país queremos ser no mundo do século XXI e nos 50 anos do 25 de Abril? Eu ambiciono uma economia do conhecimento, eu defendo o Estado Social, eu represento uma democracia de proximidade, eu defendo um Portugal com voz activa numa Europa diferente e num Mundo mais humano. São estes os meus compromissos, no respeito pelo mandato que a Constituição confere ao Presidente.

A questão que se vai colocar aos portugueses é a de saber quem estará em melhores condições para representar na Presidência da República esta ideia de País, esta ideia para o País?

Quem estará em melhores condições para mobilizar o País para aquilo que importa? A aposta no conhecimento e nas qualificações, o combate ao desemprego e às desigualdades sociais, a defesa dos serviços públicos, a democratização da democracia, a nova atitude na Europa e no Mundo?

 

Minhas amigas e meus amigos,

Não vos tomo muito mais tempo. Quero ouvir-vos. Queremos ouvir-nos.

Já conhecem a minha história pessoal e os meus valores políticos. É a partir deles que me dirijo a todos os portugueses.

Tenho um percurso próprio, feito na escola, com os jovens, feito na Universidade, com o conhecimento, fora da política profissional, mas sempre presente nos combates cívicos e sempre empenhado na política das causas e dos valores. Nunca me acomodei ou escondi.

Temos hoje aqui gente com percursos muito diferentes. São pessoas que se juntam por um imperativo patriótico e em nome de uma causa que nos une: Portugal.

Esta diversidade é a nossa força. Portugal precisa de um Presidente de todos os Portugueses. Por isso, esta é uma candidatura nacional, democrática e independente, aberta a todos os portugueses.

Precisamos, mais do que nunca, de um novo Presidente da República.

Precisamos de um Presidente próximo, de um Presidente Presente.

Precisamos de um Presidente cidadão, que seja capaz de evitar que o descontentamento conjuntural com uma medida, com uma política, com um governo, se transforme num descontentamento estrutural com a própria democracia e com o País.

A batalha pela qualidade da democracia está no coração do nosso movimento. A força deste movimento é a força do idealismo, da convicção, da militância cidadã e do voluntariado cívico. É a força dos cidadãos e da cidadania. Nas vossas cidades, nas vossas terras, cada um de vós será a voz de todos nós.

Que ninguém desista, que ninguém se resigne, que ninguém se demita. As nossas responsabilidades são agora. Mais tarde, já será tarde. As nossas responsabilidades são agora.

Juntos, vamos contrariar destinos, fatalidades, estatísticas, resultados que muitos acham que já estão traçados. Não estão. Dependem de nós. De cada um de nós. É hoje. Porque amanhã já será tarde. É agora, porque é agora que se joga o nosso futuro.

Agradeço a vossa presença, amiga, generosa. Porque os portugueses não podem esperar. Porque só teremos futuro se todos estivermos presentes. É aqui que se faz Portugal. É aqui que e faz o nosso futuro. Agora. Vamos ao trabalho, que há muito por fazer!

Viva a República! Viva a Liberdade! Viva Portugal!