Rui Teixeira

Logo no nosso primeiro encontro vi nele um homem de ação e ideias claras, tão desassombrado quão sereno, inspirador, virado para o futuro, e, sobretudo, um homem íntegro e livre. Em Sampaio da Nóvoa a liberdade vale como valor supremo, obviamente, mas vale, também e muito particularmente, como um instrumento de trabalho de primeira grandeza, que emerge da sua inigualável habilidade para congregar pessoas e causas, dando vida e coesão a corpos, de ideais e de ação, onde congrega, em conforto, almas tão diversas. Juntei esta recolha ao espólio que já trazia – o brilhantismo do investigador, do autor, do professor, do cidadão de caráter e de causas conhecidas e partilhadas – para chegar à imagem que dele guardo e que continuamente aprimoro: a de um cidadão inteiro, possuído por uma visão holística, moderna, inclusiva, aberta e que incorpora o futuro. Incorpora, ainda, a irreverência do artista, que usa as palavras como matéria-prima essencial, imune às modas, aos tiques em uso e às mordomias, moldado pela simplicidade extrema e por uma inteligência e cultura ímpares. Um homem raro.