“Eu não finjo que sou independente. Sou mesmo.”

Sampaio da Nóvoa. “Eu não finjo que sou independente. Sou mesmo”

Marta Gonçalves

Se António Sampaio da Nóvoa fosse Presidente da República muito provavelmente teria, à semelhança do que fez Cavaco silva, indigitado como primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. Na noite desta terça-feira, em entrevista à TVI24, o candidato a Belém defendeu que sem existir um “acordo público” à esquerda, nomear o “líder do partido mais votado” era o mais “normal e natural”.

“Julgo que temos de ver o processo que está a decorrer com uma grande naturalidade e normalidade e sem encrespação. Desde o primeiro dia disse, que não havendo um acordo público, quem deveria ser indigitado era o líder do partido mais votado”, afirmou Sampaio da Nóvoa. “Devemos estar contentes com isso. Está a ser feito o que é suposto”, acrescentou, lembrando que, no entanto, “todos têm consciência de que não há muito tempo”.

“O que se está a discutir é uma aliança à esquerda” e caso exista uma “maioria parlamentar”, então, Sampaio da Nóvoa não tem dúvidas: deve ser dada posse a essa maioria. Outra qualquer hipótese seria “impensável” e conduziria Portugal a “uma situação caótica, irresponsável e inconstitucional”.

“É evidente que se houver uma maioria parlamentar, e não podendo convocar eleições, não há nenhuma outra solução se não dar posse a essa outra maioria. É impensável que isso não aconteça. Inconsistente seria um governo demitido”, disse o candidato às eleições presidenciais do próximo ano.

Para Sampaio da Nóvoa, o “desejável” seria que a aliança à esquerda que se entendesse e conseguisse “um acordo sólido de legislatura”. Quanto a um cenário em que o acordo seja apenas por um ano, esse já “não seria desejável”.

O candidato presidencial criticou ainda o discurso de Cavaco Silva aquando da indigitação de Passos Coelho. Sampaio da Nóvoa ficou “em choque” com o “tom encrespado” das palavras do Presidente da República. “Tenho evitado fazer críticas, mas se há coisa que me chocou no discurso foi o apontar o dedo a Portugal. Creio que temos de manter a serenidade. A maneira como o alerta foi feito causou-me algum desconforto, até porque não havia nem há nenhum alerta por parte dos mercados”.

Próxima fase: presidenciais 2016

“Eu não finjo que sou independente. Sou mesmo independente”, afirmou Sampaio da Nóvoa relativamente à sua candidatura às presidenciais do próximo ano.

O professor universitário admite que a apresentação de Maria de Belém como candidata só veio “reforçar” a independência da sua candidatura. Agora, o que Sampaio da Nóvoa gostava era de “contar com o apoio de todos”.

Tendo em conta a atual situação política do país, o candidato acredita que é a prova de que “precisamos de um Presidente, que não é partidário e que seja isento”. “Se tivéssemos alguém isento não teríamos chegado onde chegámos. Precisamos de alguém que faça pontes, que coloque o interesse nacional na cabeça e não seja uma questão de partidos”, justificou.

Após as legislativas, a 4 de outubro, Sampaio da Nóvoa considera que os portugueses “perceberam a diferença entre um Presidente que vem de um lugar da cidadania e um Presidente que vem dessa lógica da fação partidária. As pessoas perceberam que é possível um Presidente diferente”.

Sem o apoio de nenhum partido, o candidato na corrida ao Palácio de Belém reafirma que a sua “candidatura tem origem de esquerda, mas não é uma candidatura à esquerda. É nacional”.

Expresso, 27.10.2015