Nóvoa recebe apoios do PS e encara com “naturalidade” a situação política

Nóvoa recebe apoios do PS e encara com “naturalidade” a situação política 

Paulo Pena

Vários ex-responsáveis dos socialistas da area da Saúde apoiam a candidatura de Sampaio da Nóvoa.

 

Ana Jorge, António Arnaut, Correia de Campos, Manuela Arcanjo, Manuel Pizarro e Constantino Sakellarides, todos eles ex-responsáveis (ministros, secretários de Estado e directores-gerais) pelo sector da Saúde em diversos governos do PS são apoiantes de António Sampaio da Nóvoa. O significado destes apoios é tanto maior quando uma das candidatas adversárias, Maria de Belém, é ela própria uma ex-ministra da Saúde socialista.

Apesar de não contar com o apoio de nenhum partido com representação parlamentar, Nóvoa continua a receber apoios da área do PS. E não aceita a ideia de que se encontra a disputar com Maria de Belém uma espécie de primárias socialistas. “A minha candidatura foi lançada numa base estritamente independente. Eu não finjo que sou independente. Sou mesmo independente”, afirmou, na noite de terça-feira, numa entrevista à TVI.

Depois das legislativas, Nóvoa tem reforçado a ideia de que há um “novo ciclo da política em Portugal” e que, por isso, faz sentido haver um candidato fora das “lógicas partidárias”, que não assuma a Presidência de uma forma “parcial”.

É por isso que faz questão de sublinhar, nas suas intervenções mais recentes, que Portugal está a viver um momento politico que deve ser visto com “naturalidade”, e sem “alarmismos”.

Foi o que disse na tarde de terça-feira, na Faculdade de Letras, em Lisboa, onde participou numa conferência, e repetiu na TVI. “Eu procuro agir como candidato como agiria como Presidente. Por isso digo o que penso.”

Mostrando-se mais à vontade do que os seus adversários na leitura da situação política, Nóvoa é claro nas respostas: “Se houver uma maioria parlamentar, não há nenhuma outra solução senão dar posse a essa maioria. Seria impensável o contrário.”  “Qualquer outra solução”, afirma, confrontado com a hipótese de um governo de gestão, “seria colocar o país numa situação caótica”.

Porém, o candidato que assume “vir da esquerda” não considera que a provável aliança entre PS, PCP e BE seja a única possível. Garante que qualquer que fosse a opção maioritária do Parlamento seria, na sua opinião, igualmente legítima.

Nóvoa critica Cavaco Silva pelo “tom muito crispado” da sua comunicação, mas dá razão ao Presidente da República na indigitação de Passos Coelho. E remete para o Parlamento o ónus da governabilidade.

Sem querer avaliar as decisões dos partidos, nem as suas escolhas de alianças, o candidato apenas deixou escapar uma preferência, na entrevista televisiva: “Parece-me desejável que haja um acordo sólido, que assegure na medida das possibilidades um acordo de legislatura.”

Sobre a composição do Governo que Pedro Passos Coelho apresentou a Cavaco Silva, Nóvoa evitou qualquer comentário – com uma breve excepção ao elogio pelo regresso do Ministério da Cultura – à entrada para a conferência na Faculdade de Letras: “Não me vou pronunciar em concreto sobre a composição do Governo, julgo que o que é mais importante agora é que esse debate seja travado no Parlamento, que é o lugar certo.

O antigo reitor da Universidade de Lisboa, que na TVI haveria de defender a “racionalidade”, criticou o “excesso de debate, de opinião, de calor” que tem existido, na sua opinião, no debate público “nos últimos dias”.

Apoiado pelos três ex-Presidentes eleitos – Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio – Nóvoa garantiu na TVI que tem a trabalhar consigo na candidatura “gente de todos os partidos”.

 

Público, 27.10.2015