Discurso no Jantar de Apoiantes, 14 novembro 2015

Escola Sarah Afonso, Lisboa

14 de Novembro de 2015

 

 

Minhas amigas, Meus amigos,

Muito e muito obrigado pela vossa presença.

Há muitas maneiras de começar um convívio, mas hoje só havia uma: o silêncio. O silêncio que nos junta, solidários, contra a barbárie.

Em dias assim, desgraçados, cada um de nós, cada uma de nós, deve assumir a sua própria responsabilidade, pela liberdade de todos.

Em dias assim, temos de nos manter vigilantes contra todos os extremismos. A nossa resposta tem de ser “mais democracia”, “mais direitos fundamentais”, mais “Estado de Direito”.

Ontem, em Paris, centenas de pessoas abriram as portas das suas casas para acolher quem precisava de ajuda. São estes gestos que nos tornam humanos e nos mostram o caminho.

As próximas semanas vão ser muito importantes: ou optamos pelo medo ou pela democracia, por uma União Europeia dos valores e da solidariedade, por uma Europa capaz de afirmar que a democracia, na sua fragilidade, é mais forte que o terror.

Paris é o lugar de muitos dos nossos valores, é a casa de muitos dos nossos compatriotas. Quem ataca Paris, ataca-nos a nós, o coração daquilo que somos, daquilo em que acreditamos.

Ontem, enquanto ia vendo, vezes sem conta, as imagens de desespero, mas também de resistência, só me lembrava do poema de Paul Éluard sobre a liberdade.

Escrevo o teu nome

E pelo poder de uma palavra

Recomeço a minha vida

Nasci para te conhecer

Para te chamar

Liberté

 

Minhas amigas e meus amigos,

Quero dirigir um agradecimento à Directora desta Escola, Teresa Ribeiro, e à Presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, Rute Lima, pelo acolhimento que nos foi dado.

Quero, sobretudo, deixar palavras de grande reconhecimento à Ana Catarina Mendes e ao Manuel Carvalho da Silva, pelo que são, pelo que representam, pelo que aqui, hoje, nos disseram.

O vosso apoio é mesmo muito importante para mim, por tantas razões que ficaria a noite toda a desfiá-las. Chegou o tempo de nos juntarmos, numa candidatura de convergência, uma candidatura capaz de juntar forças, de promover compromissos e unidades esquecidas. Uma candidatura que seja uma verdadeira alternativa, que comece uma vida nova.

Se dúvidas existissem, as últimas semanas foram exemplares sobre a importância que o Presidente da República vai ter nos próximos anos. As presidenciais não são uma eleição qualquer. Não são uma eleição para desistir e ficar em casa. Não há vencedores antecipados, nem eleições decididas, antes de contar os votos. Chegou o tempo de nos juntarmos. Com a força que aqui vejo hoje. Juntos. Para vencer.

Agora é que Portugal precisa de nós. Agora é que temos mesmo de nos mobilizar em torno de uma candidatura independente, capaz de defender a Constituição e os seus valores. Prometo-vos, solenemente, que serei o Presidente da Constituição. É um compromisso, definitivo, que assumo perante os portugueses.

 

Comecemos pelo princípio, meus amigos e minhas amigas, pelo tempo de mudança que estamos a viver.

Alguns estranharam que em 2012, no Dia de Portugal, eu tivesse denunciado os muitos “portugais” que começava a haver dentro de Portugal, com fracturas, cada vez maiores, entre gerações, entre empregados e desempregados, entre trabalhadores públicos e privados.

Esta conflitualidade passou, agora, também para a política, porque se puseram em causa, nos últimos anos, as bases que sustentam as sociedades democráticas, com a destruição da classe média, com a erosão de um centro moderado e equilibrador.

Precisamos hoje, mais do que nunca, de ser pacificadores, de ter a humildade de agir como pacificadores, todos, a começar pelo Senhor Presidente da República.

Sejamos claros.

Um Governo de gestão, durante longos meses e sem orçamento, é inconstitucional. E pode arrastar perigos graves de degradação da democracia. Não podemos prolongar momentos de transição, que devem ser curtos e excepcionais. É preciso dar posse a um Governo de maioria parlamentar.

A democracia exige ponderação, mas também decisão. O que temos visto no último mês é a democracia a funcionar. Tem os seus tempos e os seus ritmos. Devemos, por isso, desdramatizar a escalada verbal que se instalou no espaço político e, acima de tudo, no espaço mediático. Como se se quisesse inviabilizar qualquer tentativa de acordo, qualquer ideia de compromisso.

Mas, a partir de agora, exige-se uma actuação célere do Senhor Presidente da República, para que não se alimente um clima de crispação e agressividade, com decisões duvidosas, com incertezas que corrompem a confiança dos cidadãos na política e, até, com manobras de diversão, inaceitáveis, como a recente proposta de revisão instantânea da Constituição.

Mudar regras a meio do jogo é o pior que pode acontecer em democracia. Se a pressa é má conselheira, a vontade de alterar regras e procedimentos consolidados em função de interesses circunstanciais de um partido ou dois é o caminho mais curto para a desestabilização do regime democrático.

As regras que impedem a dissolução irreflectida e apressada da Assembleia da República são a garantia do respeito pela vontade popular expressa nas eleições. Se mudássemos as regras de cada vez que não concordamos com um resultado eleitoral, o que seria da democracia?

Os poderes presidenciais não podem ser instrumentalizados em função de interesses partidários. A coragem maior de um cidadão é agir com integridade e rectidão, fazer o que está certo. É esta a coragem que temos de exigir ao primeiro dos cidadãos, o Presidente da República.

 

Minhas amigas e meus amigos,

Os acontecimentos políticos das últimas semanas reforçam as razões que estiveram na base da minha candidatura. Expliquei, desde o princípio, a necessidade de um Presidente aberto a todas as alianças possíveis no quadro parlamentar. Uma candidatura para juntar e não para dividir. Para acrescentar e não para diminuir. Capaz de promover pontes e compromissos. Uma candidatura independente, mas não indiferente.

É isso que me tem permitido manter uma orientação clara, sem hesitações.

As presidenciais são o único acto eleitoral unipessoal do nosso sistema político. Escolhem-se pessoas. Num momento decisivo para o nosso futuro, no qual o papel do Presidente da República é determinante, cada candidato deve mostrar, pelo exemplo concreto, o que faria como Presidente.

Tem sido esse o meu comportamento. Mas, infelizmente, não é o que se vê noutras candidaturas. Presas a difíceis equilíbrios circunstanciais e a interesses particulares, mais ligadas às legislativas do que às presidenciais, têm-se refugiado no silêncio, em meias palavras e em omissões.

Há quem queira agradar a gregos e troianos, tentando equilibrar-se numa corda bamba que nunca se sabe para que lado vai pender. Falou e falou ao longo dos anos, deu notas e conselhos, antecipou cenários, e agora limita-se a dizer: “É preciso esperar para ver”. Esperar, o quê?! Quando já tanto se sabe, trata-se, não de esperar, mas de decidir.

Por outro lado, há quem esteja de tal forma condicionado a uma estratégia de agradar a todos, simpaticamente, que acaba por não conseguir ser clara quanto ao que faria no exercício da função presidencial. Nem sim, nem não, é tudo talvez.

O que precisamos, mesmo, é de um Presidente independente, capaz de dialogar com todos, de construir pontes, de se bater pela qualidade da democracia, de exigir responsabilidade e sentido de Estado aos nossos representantes.

Tenho como profissão o ensino, e como obrigação a cidadania. Os portugueses contam comigo, com isenção, com imparcialidade, para agir pelo bem comum, e não por interesses particulares. É esse o meu compromisso, é com esse compromisso que serei um Presidente de todos, com todos, um Presidente da cidadania.

 

Caros amigos e amigas,

Muitos me acusaram, no início, de querer ser um Presidente interventivo. Já se percebeu, com clareza, que não o serei quando se trata de respeitar os outros órgãos de soberania. Mas sim, serei interventivo, na perspectiva de defender Portugal e os portugueses.

Não podemos deixar que a situação actual nos desvie um milímetro das tarefas imensas que temos pela frente, dentro e fora do país.

Quero um país que dê a todos as mesmas oportunidades que eu tive. Quero um país que apoie a livre iniciativa das pessoas, das instituições e das empresas, sem amarras, sem burocracias, um país aberto ao mundo e ao futuro.

Quero tornar mais forte a nossa presença nos debates europeus, numa Europa que não seja apenas o que tem sido, que seja um espaço de convergência e de solidariedade, um lugar dos direitos humanos e da paz.

Quero ser capaz de acordar Portugal.

Temos de tentar tudo, de dar tudo, agora. Não nos interessa o poder pelo poder. Interessa-nos poder fazer, poder servir, poder construir.

A esperança está connosco, temos de levar o SNAP a todo o lado, como um abanão, como uma mola que nos projecta, com força, com ímpeto. Juntos, porque nada se consegue sozinho, porque só juntos podemos fazer a diferença. Porque pela cidadania é que vamos.

Há quanto tempo, alguns de vós, não vinham a um comício? Há quanto tempo não saíam de casa, num Sábado à noite, para viverem um encontro com a política?

Disseram-me numa aldeia do interior – Seja um de nós! Sê-lo-ei. Cada pessoa aqui presente será um de nós, e esta será a nossa maior força, a raiz da nossa identidade.

SNAP – um de nós, a força da esperança, do futuro presente, do futuro que já existe em tantos exemplos, em tantas pessoas, que fui conhecendo no país inteiro.

A história perdoa tudo, menos a monotonia, menos a indiferença, o desinteresse, a passividade.

Esta candidatura já não é só minha. Pertence-vos.

Quando faltam pouco mais de dois meses para as eleições presidenciais. É o tempo de, em conjunto, mostrarmos que, quando os portugueses querem, o país acorda, avança, lança-se em novos caminhos.

Agora é que é! Agora é que é mesmo!

Não quero nada para mim, mas estou disposto a dar tudo. E nesta sala? Vamos também dar tudo? Vamos ou não vamos? Temos garra ou não temos? Temos força ou não temos? Temos coragem ou não temos?

Temos, sim, porque esta é a hora, a nossa hora, o nosso tempo, o tempo da cidadania, o tempo de Portugal. Agora é que é! Todos em conjunto.

Porque é em nós que está a Liberdade.

Viva a Liberdade.

Viva Portugal.