Nóvoa diz que “Presidente tem de assumir que há boa-fé negocial dos partidos”

Margarida Gomes

Ex-reitor da Universidade de Lisboa almoçou com personalidades do Porto e foi recebido pelo presidente da Câmara de Gaia.

António Sampaio da Nóvoa não encontra explicação para o “clima de tanta conflitualidade que se instalou na vida politica” e diz que o “Presidente da República tem de assumir que há uma boa-fé negocial  por parte dos partidos que assumem responsavelmente uma determinada solução”.

“Houve muita conflitualidade em Portugal nos últimos quatro anos e não precisávamos agora desta conflitualidade na vida política, sobretudo em relação a uma matéria que me parece que o mais elementar bom senso leva a que tenha que se viabilizar um governo de maioria parlamentar”, declarou o ex-reitor da Universidade de Lisboa.

A partir do Porto, onde almoçou com mais de trinta personalidades dos mais diferentes sectores. Sampaio da Nóvoa pediu “bom senso” para se respeite um governo de maioria parlamentar. “Um presidente deve ou não, nas actuais circunstâncias, respeitar um governo de maioria parlamentar? A minha resposta é deve, fosse esse acordo o que fosse, com os partidos que fossem”. Reafirmou que “estão criadas as condições para que o governo possa governar” e disse julgar que “todos esperamos que isso funcione e que seja um bom governo e que crie a estabilidade que Portugal precisa”.

Pedindo mudança de políticas, Sampaio da Nóvoa sublinha: “Eu não vim para esta campanha, para esta candidatura para deixar tudo na mesma. Vim para esta campanha para ser outra coisa, para estar na política de forma diferente, com independência, imparcialidade e espero que estejamos a assistir à abertura de um tempo novo em Portugal”.

Quase sete meses depois de ter apresentado publicamente a sua candidatura, o ex-reitor responde às declarações de Maria de Belém que se mostrou mais do que disponível para debates e frente-a-frente com os demais candidatos: “Exijo que eles se realizem”, frisou.

Clamando para que se “ponha fim rapidamente a este momento” da vida política nacional, o candidato pede que o país se concentre nas presidenciais, marcadas para 24 de Janeiro. “As presidenciais são um tempo extraordinariamente importante para todos, como se percebe pelo que se passou nas últimas semanas”.

Afirmando que nestas eleições está muita coisa em jogo, o professor coloca nas mãos dos portugueses a possibilidade de uma mudança e lança um desafio: “Os portugueses têm de decidir se querem mais do mesmo, se querem candidatos de continuidade ou se querem um candidato diferente que venha da cidadania, da independência , que não tenha vinculações partidárias e que se compromete até ao limite das suas possibilidade a actuar com isenção e com imparcialidade”.

Sobre os resultados da última sondagem para a SIC e Expresso, divulgados na sexta-feira, que dá Marcelo Rebelo de Sousa à frente com 48%, o candidato relativiza-os, afirmando que “o que é relevante nestas sondagens é que as eleições não estão ganhas e que há muito trabalho e debate a fazer”. Neste estudo de opinião, Sampaio da Nóvoa surge em terceiro lugar, com 16,7% das intenções de voto, atrás de Maria de Belém com 18,9%.

De manhã, Sampaio da Nóvoa esteve em Gaia, onde visitou a Associação de Moradores de Vila D´Este, antes de se encontrar com o presidente da câmara, o socialista Eduardo Victor Rodrigues, que já garantiu o seu apoio a Maria de Belém.

A ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, o escritor Carlos Tê, escritor, o director da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, José Paiva, o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, os vereadores da Câmara do Porto Manuel Pizarro e Manuel Correia Fernandes, o presidente da Empresa Águas do Porto, os economistas José Freire e José Azevedo, a directora da galeria da Cooperativa Árvore, Laura Soutinho, eram algumas das personalidades presentes.

O almoço foi servido por antigos sem-abrigo que frequentaram um curso de formação profissional na área da restauração e da hotelaria, que funciona nas instalações da SAOM, uma IPSS do Porto que tem um programa de reinserção social específico para estas pessoas e com uma elevada taxa de empregabilidade.

Público, 21.11.2015