Emerenciano Rodrigues

Sou artista plástico, mas sou sobretudo uma pessoa, liga o artista e a pessoa uma perspectiva política, a da atenção às manifestações que caracterizam o mundo que habitamos. O sublinhado que utilizei numa exposição que realizei na cidade do Porto, palavras de Deleuze, “um pouco de possível se não sufoco”, aproxima-me de uma realidade que me é exterior, e posso pensar a partir dela, percebendo que sou uma pessoa de esquerda. E compreendo o que escreveu no livro Hipóteses de Abril Eduardo Prado Coelho, cito de memória, que a direita tem de ter a sua esquerda porque há problemas a resolver. Apoio o professor Sampaio da Nóvoa para ser presidente de todos os portugueses, julgo que o candidato pensa a partir de fora, do mundo, a sua determinação contrasta com a não determinação e a indiferença que caracterizou a presidência de Cavaco Silva. Não menorizo Edgar Silva nem Marisa Matias, mesmo quando assumem as suas ligações partidárias, o que não constitui um defeito, no entanto Sampaio da Nóvoa, sendo verdadeiramente independente dos partidos políticos, não é um falso independente, também, e com a sua eleição cumpre-se a Constituição da República Portuguesa.