“Estamos a uma distância mínima. Agora é mobilização máxima até domingo!”

Discurso no comício de encerramento da 1ª volta, 22 janeiro 2016

Aula Magna, Lisboa

Amigos e amigas,

Que alegria. Que alegria ver esta sala cheia. Cheia de uma energia transbordante que se sente pelo país, do orgulho de quem sente que deu o melhor de si nesta campanha. E foram tantos e tantos, a quem não consigo agradecer pessoalmente, mas a quem deixo desde já um abraço e um agradecimento muito especial. Obrigado. Obrigado por mim, obrigado por nós, obrigado por tudo.

Acabamos hoje esta primeira volta e acabamos onde tudo começou. Na verdade, vale a pena dizer que não era este o plano original da campanha, mas a triste notícia da morte de Almeida Santos alterou a agenda e fez-nos acabar em Lisboa. Tinha de ser aqui.

Tinha de ser nesta sala pelo que ela representa de luta pela liberdade, antes e depois do 25 de Abril. A Aula Magna é um exemplo de lutas cívicas e políticas.

Tinha de ser nesta sala porque foi aqui, juntamente com Mário Soares, e Pacheco Pereira, e tantos outros, se iniciou um movimento de convergência contra a austeridade. Um movimento que juntou pessoas com percursos e opiniões muito distintas, pessoas de vários campos políticos, mas que souberam concentrar-se no que as unia. É nessa cultura que esta candidatura se revê.

Tinha de ser nesta sala, por fim, porque como é do conhecimento público foi aqui que fiz a minha carreira de professor e dediquei uma vida inteira ao serviço público.

Acabamos esta primeira volta, onde tudo começou. Acabaremos a segunda volta em Belém. 

Estamos a um pequeno passo de dar um grande passo. De ter em Belém, ao fim de 10 anos de uma linha que desprestigiou a imagem da Presidência, um Presidente que defenda a Constituição, a soberania do país, o Estado Social e os interesses dos portugueses e portuguesas.

Estamos a uma distância mínima da segunda volta. E aí voltará tudo a zeros. Desengane-se quem pense que, numa segunda volta, também já estará tudo decidido. Voltaremos, então, a mostrar, como agora, que quem decide são os eleitores, os cidadãos, e que tudo está em aberto até ao momento do voto.

Temos de dar tudo, sempre, até ao último minuto. Temos de dar tudo para não nos arrependermos de nada.

Mário Soares também partiu com 25%, contra 46%, e acabou com 51%. Vamos repetir 1986, 30 anos depois. A segunda volta é possível e está a um pequeno passo de distância. Estamos a uma distância tão pequena, mínima, que vos peço mobilização máxima!

Não acreditem nos cantos da sereia de quem diz que está tudo decidido e que as presidenciais não decidem nada. Não. Estas eleições contam e contam muito.

Lembrem-se dos últimos dez anos. Agora comparem o mandato do atual Presidente da República, que foi apoiado por um dos outros candidatos, com os mandatos dos três presidentes que apoiam esta candidatura. Comparem o prestígio que tinha a Presidência com o que tem agora. Há verdadeiramente um antes e um depois. Há. E não é por acaso.

A diferença chama-se compromisso com a Constituição. Ouço dizer que não há nada mais vago. Peço desculpa, mas não concordo mais uma vez. Compromisso com a Constituição é defender a soberania da República. É defender o Estado Social quando ele é ameaçado por investidas ideológicas como as que vivemos nos últimos anos. É respeitar a importante herança política de presidentes como Ramalho Eanes, como Mário Soares, como Jorge Sampaio.

Como os últimos meses também demonstraram, o Presidente da República não pode ser agente perturbador da vontade dos cidadãos, quando esta contraria os seus desejos pessoais ou da sua família política.

Amigos e amigas,

Abracei este desafio com tempo, com frontalidade. Olhos nos olhos, perante todos os portugueses. Ouvi muita gente, gente de carne e osso, e não apenas os números da última sondagem. Percorri o país, de Norte a Sul; estive onde estão as pessoas, e não apenas nos estúdios de televisão.

Semeámos a tempo, e agora estamos a colher os primeiros frutos.

Recusei sempre o caminho fácil da infantilização da política. 

Contra a cultura do cinismo tentei trazer a força do civismo.

Num regime republicano não há ungidos, não há trono, e as eleições não são um concurso de popularidade televisiva.

Para mim, ao povo não está reservado o papel de espectador, figurante e menos ainda de cenário! Não! Para mim o povo é cidadania.

Cidadãos, que se querem protagonistas do seu futuro, cidadãos sujeitos da nossa história, cidadãos entre iguais, com direitos e deveres.

Desde logo o direito de serem tratados com respeito nesta campanha eleitoral. De não serem infantilizados. O direito a que lhes falem verdade.  O direito a conhecerem efetivamente o que representa politicamente cada um dos candidatos.

A que não se queira ser aquilo que não se é! Os cidadãos tem por isso também o dever de exigir respeito por si. O dever de mostrar a quem quer fazer desta campanha eleitoral um mero passeio, e que julga que pode substituir ideias, argumentos e propostas, por acenos, abracinhos e sorrisos, está muito enganado!.

Juntos, fizemos desta campanha um movimento de emancipação cidadã, com a coragem das nossas ideias e com a força das nossas causas.

Tratámos as pessoas com dignidade e com isso devolvemos esperança às pessoas.

Não fomos o megafone dos mesmos do costume. Demos voz a todos, porque não há portugueses de primeira e de segunda.

Os portugueses estão a responder à chamada. Já somos muitos, seremos cada vez mais a partir de domingo. Domingo vamos dizer presente!   

Estamos todos convocados. O tempo novo não se constrói com as soluções do passado, nem com os rostos do costume para as políticas de sempre.

Tempos diferentes, como os que vivemos, exigem um Presidente diferente e que faça a diferença. Que seja independente e imparcial. E que diferença pode fazer um Presidente… Vimos isso nos últimos dez anos. Não queremos ver o mesmo nos próximos dez!

Não é indiferente a nossa escolha no próximo dia 24. Depois de 10 anos seguidos com um Presidente da área política da Direita, que não conseguiu transcender a sua origem política e transformar-se no Presidente de todos os Portugueses, não podemos arriscar uma linha de continuidade com o que aconteceu na Presidência na última década. Dez anos é muito tempo. Vinte anos seria tempo a mais.

Se temos alternativa e rotatividade no Parlamento e no Governo, por que razão havemos de aceitar mais do mesmo em Belém, principalmente quando sabemos que esse mesmo foi um legado de omissões, ausências e pressões erradas a partir de Belém?

Mais sorridente ou menos sorridente, a linha é a mesma. Onde um desprestigiou a imagem da Presidência, desvalorizando o papel do Presidente, temos agora o candidato da continuidade a desvalorizar as eleições e as funções do Presidente.

Não estou aqui a fingir que mudo alguma coisa para deixar tudo na mesma na Presidência da República.

A minha candidatura é a alternativa certa no tempo certo.

Tempos diferentes exigem de nós escolhas diferentes. Aquilo que ontem parecia inevitável torna-se hoje anacrónico. Aquilo que ontem pareceria impossível torna-se hoje imperativo. Aquilo que ontem parecia uma voz minoritária aparece hoje como a voz de todos nós. 

Portugal já tem tática a mais e estratégia a menos. Portugal precisa de mais sentido de Estado e de mais sentido de Pátria na Presidência da República.

A Presidência da República não é uma brincadeira. Somos um grande povo, um grande País com quase nove séculos de História. Merecemos um Presidente da República sério e a sério. 

O Presidente da República é o Chefe de Estado e o Comandante Supremo das Forças Armadas. É o garante do regular funcionamento das instituições. Tem o dever de cumprir e fazer cumprir a Constituição. Em cada dia do seu mandato, e não apenas dia sim, dia não.   

Entramos no último dia da primeira volta para estas eleições presidenciais.

É bom que regressemos àquilo que nos traz aqui até à Aula Magna que viu apresentações de candidaturas vencedoras como a de Jorge Sampaio e que verá também a nossa passagem á segunda-volta e daí à vitória nas Presidenciais.

O que nos traz até aqui é o artigo primeiro da Constituição — para lembrar a todos que nem a democracia, nem a Constituição da República Portuguesa, que a um Presidente compete jurar, cumprir e fazer cumprir, se compadecem com uma política feita de um mero exercício de poder, vazio de valores, causas e ideais.

A nossa Constituição e a nossa República têm um horizonte de cidadania, de igualdade, de desenvolvimento e de participação que cabe a todos nós defender, todos os dias.

A democracia não tem donos. Em democracia é mesmo o povo quem mais ordena. A notoriedade pode afinal não ter nada de notável. Os portugueses não passam cheques em branco a ninguém. Quem não disse ao que vinha à primeira, vai ter de se explicar à segunda. E à segunda ganha quem der mais garantias.

Estamos quase lá. Já fizemos o mais difícil. Já rompemos o muro do silêncio. Já ninguém ignora a força desta candidatura. Falta muito pouco. Estamos a uma distância mínima. Agora é mobilização máxima até domingo!